
Ficou para sempre no quinto mês de cada ano – maio, mês de Maria (o que logo remete à Santa do Rosário, padroeira dos “Pretos”, ilustríssima Senhora da Irmandade do Rosário) – a celebração e honra aos ancestrais africanos e descendentes de africanos escravizados em terra brasilis.
Mas decerto, toda segunda feira é dia de honrar os antepassados. E também a Exu. A honra aos ancestrais é para sempre, segundo as tradições religiosas com origens africanas ou afro-ameríndias no Brasil.
Conta a lenda que, certa vez, estavam as Rainhas Yemanjá, Oxum e Iansã numa discussão sem fim para repartir entre elas alguns dez búzios. As Yabás tentaram infinitamente a repartição, sem sucesso. Cada uma defendia sua posição para ficar com quatro búzios. Foi então que Exu, assistindo a demanda, intrometeu-se. Separou três búzios para cada uma e deixou que sobrasse um. Exu cavou um pequeno buraco no chão, enterrou o búzio e o cobriu com terra. Era pros Ancestrais. A partir daí, ficou-se entendido que, tudo o que ganhamos, comemos ou temos, uma parte deve ser dada aos nossos antepassados.
É interessante perceber que todo o sistema religioso de nossas tradições voltam-se para a questão da ancestralidade. Sem os antigos não estaríamos aqui. Sem iniciados, não existirá a continuação. As almas, os Ancestres olham por nós. Aqui estão nos orientando, protegendo, repreendendo. Cada Nação rende homenagem, ao seu modo, aos Ancestrais. Percebe-se então que, sem o culto aos antecessores, ao passado, não existe o presente. E menos ainda o futuro.
Os Pretos, Velhos Antepassados, Velhos Ancestrais, Velhas Almas, Velhas e Antigas, Relíquias, Bastão de nossas famílias, Egungun – Egun, Velhos Tata Kimbanda: Os Exus, Caboclos donos de nossa Terra - Ancestrais primeiros dessa Terra, coexistem e formam uma espécie de “complexo ancestral” nos destinos de cada ser vivo: sua ancestralidade, sua história.
Preto Velho, o ícone popular representativo da ancestralidade africana e mestiça nos terreiros. O chamado “psicólogo dos pobres”, o vovô, a vovó, a negra que conta histórias – Tia Anastácia.
Embora a figura do Nego Véio esteja em grande oposição à figura de Exu (o primeiro é visto como o escravo submisso, convertido à fé cristã, meio regenerado segundo às concepções do colonizador e, o segundo, rebelde, quilombola, o feiticeiro e conhecedor dos venenos pra matar os senhores de terra). Não importa. No Cruzambê Divino – Os quatro cantos do mundo – as Almas vão rezar. Também ali está Exu. Não se esqueça.
No dia 13 de maio, na hora de servirmos nossos milhares grãos de feijão em nossas comunidades – os feijões: a representação da descendência sobre a terra – pensemos nos que já se foram. Cantemos a eles as nossas sinceras reverências para sermos agraciados com suas benfazejas proteções e orientações.
Adorei as Almas no dia de Hoje,
Mojubá!

